Eu-lírico à mostra

Palavras escondidas do peito, expostas, a mostra, sem volta

Amor breve.

Eu tô aqui, te olhando.
E me apaixonando.
Pelo jeito que tu olha pro seu redor.
Parecendo a vida ser simples.
Se eu tivesse teus olhos azuis comigo, tenho certeza que a minha seria.
Mentira. A vida não dá pra ser simples.
Mas contigo ao menos ela seria mais leve.
Tu olha pra cima. Depois fala com teu irmão. Eu termino de me apaixonar.
Desvio o olhar pra não dar na vista.
Tu me olha. Eu olho pra ti.
Nosso olhar insiste em nós mesmos.
Tu desvia. Eu também. Mas eu sempre volto.
Tu chega ao teu destino.
Eu querendo ser ele.  Pra tu chegar em mim, um dia.
Tu vai embora.. Eu te acompanho até onde posso.
A vida vai te levando pra longe.  De mim.

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Sobre a vida, tu, a mentira. E o amor que não.

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Tu não sabe da vida que eu ainda levo pra perto de ti.
Vida essa que eu quis te dar, e não apenas te mandar de longe.
Pra tu seguir firme.
Firme do jeito que tu aparenta ser.
Pra esconder essa inconstante que tu verdadeiramente, é.
Eu sei da frescura de tempo que tua cabeça precisa.
E eu bem queria poder tirar ela de ti.
Transformá-la em verdade.
Verdade. Tu não deve conhecê-la.
Ela que me acompanhou, sempre, quando eu amanhecia ao teu lado.
Talvez, eu estivesse tão cheia dela, que não a deixei ser tua também.
Mas não. Não adianta não querer colocar a culpa em ti.
Tu é responsável sim, por todas as promessas que não cumpriu.
Por todas as palavras bonitas que voltaram doendo, vazias, sem esperança de se tornarem realidade.
Eu que sempre vivi a minha verdade, acabei não conhecendo a tua. Que era a mentira.
Tu não sabe das vezes que eu ouvi aquela música nova e pedi pra que tu me cantasse.
Que na verdade tu errou, mas não queria me machucar, pra mim voltar e sorrir, como eu só faço contigo.
Que nada seria como antes.
Seria sim, melhor.
Seria nós, como tu disse que sempre seria.
Como era pra ser. Nosso casamento, aquele da canção.
Um dia.. a gente casaria. E o amor, nos bastaria.
Mas ele não.
Tanto. Que bastou. E tu se foi.
Comigo. Ainda. Amor.

Em que. Apesar de. Além de.

Tu me disse que amor como nosso não morre.
No máximo, se transforma.
E eu te pergunto, em que?
Ele continua aqui.
Sendo amor não transformado.
Que me mata aos poucos. Por continuar te vivendo.
Loucura. Tua vida, me mata.
De amor, de saudade, de lembrança.
Tenho tua vida, apesar de.
E além de, tua ausência.
E a vontade que.

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Peito aberto.

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Deixa essa marca tua no meu peito.
Logo ela se costura.
E a cicatriz, meu bem..
Faço dela minha lembrança,
te deixo vivo na memória,
te aguardo na esperança.
E se te aguardo,
é porque de ti não saio.
Meu peito não te cicatriza,
insiste em se deixar aberto pra tua vinda.
Vida que demora, vinda ilusória.

Despedida.

Como você se deixou morrer dentro de mim assim?
éramos pra ser eternidade.
Você que chegou tão cheio de vida em nós,
morreu quando entrou num sonho teu.
Teu sonho egoísta nos fez distância,
como se a que tínhamos já não nos bastasse.
Bastou.
Você não disse, mas eu senti que você queria partir.
E eu, que não consigo falar sobre sentimentos,
te escrevi o meu adeus.
E ali, eu conheci a dor de libertar o amor.

O adeus, o pedido pra ficar.

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Sou.Eu.

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É dificil falar de você.
Te expor assim…
Mostrar pra eles a fragilidade do teu sorriso.. Ou até a doçura por trás das tuas palavras secas.
Não. Falar de você é um perigo.
Perigo esse que eu não quero colocar a prova dos outros.
Você, sou.
Eles não entenderiam. Nunca.
Fariam de ti, um drama.
Um drama de sentir demais.
E diriam que é errado sentir demais, assim..
Tu não entende?
Você sim, eles não.
E no fim, não é você a errada.
Eu vou te proteger deles.
Te guardar pros poucos.
Pros que são. Sãos como tu.
Eles, os que sentem as palavras como um fôlego.
Que as encaixam no vazio dos seus corações cheios de tudo.

Reflexo.

Arruma. O guarda roupa. Ou você.
Os dois precisam.
Mas tu sempre. Sempre começa e não termina.
Não consegue. Tu tenta. Mas sempre não.
A bagunça de fora, deve condizer com a de dentro.
A de dentro, é tão que. Fica.
Refletida na bagunça de fora.

Incoerência.

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E o vento bagunçou meu cabelo, feito quando você me embaraçava.

E a brisa trouxe seu riso solto, que me prendia.

Eu te soltei. Querendo me prender.

Você permitiu a minha fuga sua

Eu fui sendo sua. Você veio não sendo meu.

Fica meu bem, porque eu quero que você vá.

Vai meu bem, porque eu vou ficar.

Prefácio.

As palavras sempre vem. Por mim ou por eles.

E todos me lêem. As palavras, e eles.

Depois de tanto tempo. Medo.

Permito. Me leiam. 

Me exponho, me escrevo, me mostro. 

A mostra, sem volta.

Eu. Escrevo.