Eu-lírico à mostra

Palavras escondidas do peito, expostas, a mostra, sem volta

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Solta.

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Queria que tu me soltasse, me deixasse escapar pela tua mão.
Eu sei, tu me segurou a pouco tempo.
Mas tu não entende. Eu tenho que ir.
E você não pode ir pelo mesmo caminho. Ele é meu.
Se você for, eu vou pra outros lugares que não. Não os meus.
E se tu demorar em mim, e eu em você,
vamos nos doer.
Mais do que já.
Corre. Foge. Rápido. Leva tudo.
Só não eu. Não me leva contigo.
Me deixa aqui que eu me viro.
Sempre me cuidei só, me deixa.
Só não deixa eu te machucar.

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Vai.

Sabe desses dias em que tu não quer voltar?
O mesmo caminho, a mesma paisagem, o mesmo medo, as mesmas vontades de fazer o que não.
Esses dias que tu quer sair por aí..
Ouvir  a batida da música..
Deixar ela se misturar em você, fazendo do teu corpo,
o que ele é,
movimento.
Esses dias normais que você não quer que seja como todos os outros.
O que te prende? Por que tu não (se) deixa? Por que você não (se) acha?
Esses caminhos.. Olha!
Eles se multiplicam na sua frente.. Você não vê que eles só estão esperando ser pisados pra te levarem além disso que você é?

Vai.

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Corro.

Menina, eu tô correndo.
Desde o instante em que vi teus olhos nos meus e senti eles brilhando pela tua beleza natural de ser.
No exato momento em que não sabia pra onde ir a não ser que teus pés fossem comigo, eu fugi.
Pra qualquer lugar que não me levasse ao caminho do (teu) amor.
É medo. É fuga. É perigo.
É a certeza que esse caminho é incerto demais pra esse coração sólido, mas que cansado da solidão, corre.

Corre direto pros teus (a)braços.

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Sobre o que lembra o amor.

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Entrei no meu refúgio. Banho quente. Como diria Sylvia Plath, existem poucas coisas que um banho quente não cure.
Saí fervendo. E pensei no amor. Talvez porque o amor aqueça todo seu redor. E eu lembrei de você. Do teu calor. Que derretia minha frieza, e que me fez sentir de novo um coração que arde.
Mas assim que sai de lá e da tua lembrança, senti os pingos frios que escorriam pelos cabelos tocar minha pele. E eu pensei no quanto era ruim sair do calor e sentir o frio.
Não era nada que me esfriasse por inteira, mas querendo ou não, era um choque, algo que eu não queria sentir.
Aquelas gotas frias que insistiam em cair em mim, eram feito tuas ações frias, que não me faziam parar de te amar, mas era algo que eu não queria sentir porque não eram quentes como o lugar que eu estava. Não era quente como o amor que eu sentia. Não era.
Tudo me dizia que o que pensava era como eu não quis sair do calor dos teus braços e sentir a frieza do mundo. Foi meio assim.. Como nosso amor. Ou a falta dele.

Rubem Alves.

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Você hoje não irá mais entender a vida. Ela saiu de ti.
Saiu pra te dar um descanso da dor que ela mesmo te trouxe nos últimos tempos.
Tu mereceu descansar. Não gosto da ideia da morte.
Você não morreu. Tuas palavras ainda vivem nos livros. Ainda ecoam vivas naquele poeta que faz de ti, inspiração.
Tuas palavras, elas não vão te deixar morrer.
Você foi, mas sempre será,
Rubem Alves.

Você não sente a ausência.

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Aposto.
Vocês não viram que faltava um pedaço dela.
Tão acostumados a olharem rápido.. Não observaram, nem sentiram o espaço vazio.
A ausência era pequena no meio da quase imensidão que ela trazia pros olhos.
Mas eu senti a ausência daquilo que não era mais.
Senti como se o pedaço que faltasse, fosse meu, assim como era dela.
Eu senti.
Me senti parte dos espaços vazios, daquilo que sempre falta, daquilo que não.
Eu sempre sinto tua falta.

Nós juntos.

Tá tudo se misturando. A vontade de ir. E a de ficar.
E eu tô querendo que tu me tire dessa confusão toda.
Que me pegue pela mão,
me tire desse abismo de mim mesma.
Eu sei, é difícil.
Você tbm tem seu abismo.
Mas, me tira daqui.
Eu te tiro daí.
A gente é mais que esse abismo todo dentro de nós.
Temos que ir logo. Além disso que somos.
É tão difícil ser, e justo nós, nós somos. Juntos.

Sobre o lugar e o caminho que não sei.

Esse lugar que eu tô.
Sem saber pra onde.
Eu queria que vocês entendessem.
Que me acompanhassem onde eu não sei. Assim, ao menos, não me sentiria assim.. Só.
Só nesse lugar que eu sei que vou me encontrar.
Mas vocês também podiam.
Se encontrar comigo.
A gente podia achar um caminho pra sair. Ou pra permanecermos juntos.
Ou pra alguma coisa.
Onde eu tô, eu sei, é onde devo estar.
Sem entender… Eu to indo.
Sem saber onde vai dar.
Mas tomara que dê.

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Sonho. Real.

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Acordei querendo esconder tudo
o que nos pertence.
Mas
nosso lugar escondido
trouxe a tona
tudo o que fomos
naquele sonho bom
trouxe os olhos da saudade.
Ah, e o tempo parou
enquanto eu rodopiava
nos pensamentos insanos.
Louca, desesperada, me vi a correr
transbordando a chama do amor
nessa cidade fria de emoções
Corria e ia ao teu encontro
ao teu colo quente de desejo
mas por um instante
fiquei sem ar
e pensei que estava dentro dos teus beijos
Tropecei na realidade, e caí.
Então percebi que corria pra tua ausência
ia de encontro com o vazio.

Faltou, amor.

Eu vi o brilho dos meus olhos quando te amava
Te disse que era você quem me faltava
Um dia você faltou amor
E tanto te procurei que tu foi embora
Eu te libertei e você voou mundo afora
E agora tu vive bem, e eu te vivo sem