Eu-lírico à mostra

Palavras escondidas do peito, expostas, a mostra, sem volta

Month: July, 2014

Rubem Alves.

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Você hoje não irá mais entender a vida. Ela saiu de ti.
Saiu pra te dar um descanso da dor que ela mesmo te trouxe nos últimos tempos.
Tu mereceu descansar. Não gosto da ideia da morte.
Você não morreu. Tuas palavras ainda vivem nos livros. Ainda ecoam vivas naquele poeta que faz de ti, inspiração.
Tuas palavras, elas não vão te deixar morrer.
Você foi, mas sempre será,
Rubem Alves.

Você não sente a ausência.

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Aposto.
Vocês não viram que faltava um pedaço dela.
Tão acostumados a olharem rápido.. Não observaram, nem sentiram o espaço vazio.
A ausência era pequena no meio da quase imensidão que ela trazia pros olhos.
Mas eu senti a ausência daquilo que não era mais.
Senti como se o pedaço que faltasse, fosse meu, assim como era dela.
Eu senti.
Me senti parte dos espaços vazios, daquilo que sempre falta, daquilo que não.
Eu sempre sinto tua falta.

Nós juntos.

Tá tudo se misturando. A vontade de ir. E a de ficar.
E eu tô querendo que tu me tire dessa confusão toda.
Que me pegue pela mão,
me tire desse abismo de mim mesma.
Eu sei, é difícil.
Você tbm tem seu abismo.
Mas, me tira daqui.
Eu te tiro daí.
A gente é mais que esse abismo todo dentro de nós.
Temos que ir logo. Além disso que somos.
É tão difícil ser, e justo nós, nós somos. Juntos.

Sobre o lugar e o caminho que não sei.

Esse lugar que eu tô.
Sem saber pra onde.
Eu queria que vocês entendessem.
Que me acompanhassem onde eu não sei. Assim, ao menos, não me sentiria assim.. Só.
Só nesse lugar que eu sei que vou me encontrar.
Mas vocês também podiam.
Se encontrar comigo.
A gente podia achar um caminho pra sair. Ou pra permanecermos juntos.
Ou pra alguma coisa.
Onde eu tô, eu sei, é onde devo estar.
Sem entender… Eu to indo.
Sem saber onde vai dar.
Mas tomara que dê.

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Sonho. Real.

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Acordei querendo esconder tudo
o que nos pertence.
Mas
nosso lugar escondido
trouxe a tona
tudo o que fomos
naquele sonho bom
trouxe os olhos da saudade.
Ah, e o tempo parou
enquanto eu rodopiava
nos pensamentos insanos.
Louca, desesperada, me vi a correr
transbordando a chama do amor
nessa cidade fria de emoções
Corria e ia ao teu encontro
ao teu colo quente de desejo
mas por um instante
fiquei sem ar
e pensei que estava dentro dos teus beijos
Tropecei na realidade, e caí.
Então percebi que corria pra tua ausência
ia de encontro com o vazio.

Faltou, amor.

Eu vi o brilho dos meus olhos quando te amava
Te disse que era você quem me faltava
Um dia você faltou amor
E tanto te procurei que tu foi embora
Eu te libertei e você voou mundo afora
E agora tu vive bem, e eu te vivo sem

Amor breve.

Eu tô aqui, te olhando.
E me apaixonando.
Pelo jeito que tu olha pro seu redor.
Parecendo a vida ser simples.
Se eu tivesse teus olhos azuis comigo, tenho certeza que a minha seria.
Mentira. A vida não dá pra ser simples.
Mas contigo ao menos ela seria mais leve.
Tu olha pra cima. Depois fala com teu irmão. Eu termino de me apaixonar.
Desvio o olhar pra não dar na vista.
Tu me olha. Eu olho pra ti.
Nosso olhar insiste em nós mesmos.
Tu desvia. Eu também. Mas eu sempre volto.
Tu chega ao teu destino.
Eu querendo ser ele.  Pra tu chegar em mim, um dia.
Tu vai embora.. Eu te acompanho até onde posso.
A vida vai te levando pra longe.  De mim.

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Sobre a vida, tu, a mentira. E o amor que não.

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Tu não sabe da vida que eu ainda levo pra perto de ti.
Vida essa que eu quis te dar, e não apenas te mandar de longe.
Pra tu seguir firme.
Firme do jeito que tu aparenta ser.
Pra esconder essa inconstante que tu verdadeiramente, é.
Eu sei da frescura de tempo que tua cabeça precisa.
E eu bem queria poder tirar ela de ti.
Transformá-la em verdade.
Verdade. Tu não deve conhecê-la.
Ela que me acompanhou, sempre, quando eu amanhecia ao teu lado.
Talvez, eu estivesse tão cheia dela, que não a deixei ser tua também.
Mas não. Não adianta não querer colocar a culpa em ti.
Tu é responsável sim, por todas as promessas que não cumpriu.
Por todas as palavras bonitas que voltaram doendo, vazias, sem esperança de se tornarem realidade.
Eu que sempre vivi a minha verdade, acabei não conhecendo a tua. Que era a mentira.
Tu não sabe das vezes que eu ouvi aquela música nova e pedi pra que tu me cantasse.
Que na verdade tu errou, mas não queria me machucar, pra mim voltar e sorrir, como eu só faço contigo.
Que nada seria como antes.
Seria sim, melhor.
Seria nós, como tu disse que sempre seria.
Como era pra ser. Nosso casamento, aquele da canção.
Um dia.. a gente casaria. E o amor, nos bastaria.
Mas ele não.
Tanto. Que bastou. E tu se foi.
Comigo. Ainda. Amor.

Em que. Apesar de. Além de.

Tu me disse que amor como nosso não morre.
No máximo, se transforma.
E eu te pergunto, em que?
Ele continua aqui.
Sendo amor não transformado.
Que me mata aos poucos. Por continuar te vivendo.
Loucura. Tua vida, me mata.
De amor, de saudade, de lembrança.
Tenho tua vida, apesar de.
E além de, tua ausência.
E a vontade que.

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Peito aberto.

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Deixa essa marca tua no meu peito.
Logo ela se costura.
E a cicatriz, meu bem..
Faço dela minha lembrança,
te deixo vivo na memória,
te aguardo na esperança.
E se te aguardo,
é porque de ti não saio.
Meu peito não te cicatriza,
insiste em se deixar aberto pra tua vinda.
Vida que demora, vinda ilusória.